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Fragmentos…

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Tenho a certeza que os dias, os encontros com os amigos, as refeições partilhadas, as viagens, os momentos preciosos são maravilhosos quantos menos registos fotográficos tiver. Ou seja, se aquele instante está a ser, de facto, bom, envolvente, partilhado, poucas vezes o registo, demasiadas vezes a câmera fica esquecida…

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E depois, mais tarde vem o arrependimento de não ter captado aquelas ocasiões, os momentos plenos de felicidade, de alegria contagiante… e fico com esse sentimento que perdura até ao instante em que me recordo das palavras da grande Sophia que numa entrevista afirmava que nunca fotografava as suas viagens porque precisava do olhar liberto para captar em todo o seu ser, com toda a liberdade, as imagens que a rodeavam, que a faziam feliz…

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E fico apaziguada. Essa ideia tranquiliza-me. No fundo acredito que as imagens, os fragmentos desses dias, desses instantes ficam comigo, estão comigo…

Ainda assim, este piquenique dos niveladores teve direito a alguns registos. De resto, o local é tão bonito que não há como fugir às fotos. A luz estava linda, encantadora. Aproveitei o tempo em que fiquei sozinha, guardiã dos pertences, em que abdiquei da caminhada por trilhos e visita a espaços que me são familiares, para fixar pormenores; para iniciar leituras; para olhar a copa das árvores; aproveitando as mantas estendidas em solo amaciado pela vegetação; para dormitar… um luxo.

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Claro que houve comida, a própria destes encontros, com saladas coloridas, bolinhos salgados e doces, bebidas várias… mas não um registo de tal. Ficou o gato (batizado de Timóteo) que nos visitou e que entre umas dentadas no queijo e outros petiscos, foi serenamente dormitando. E ficou até noite cerrada, quando já apenas iluminados por lanternas de telemóveis, fomos arrumando tudo, com a convicção que outro dia como este se avizinha.

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Revelações

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Já tinha aqui escrito sobre um projeto recente em que estive envolvida, relacionado com o DIAITA.

Trata-se de um livro sobre a alimentação na Antiguidade Clássica. A sua autora está naquela fase trabalhosa de revisão de provas. A parte mais prazerosa do projeto já aconteceu: a confeção das receitas no restaurante Arcadas no Hotel Quinta das Lágrimas; reportagem fotográfica (que ficou a meu cargo) e a degustação das mesmas.

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Antes de vos apresentar definitivamente o livro, deixo mais algumas imagens dos bastidores.

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Um bolo e mais livros…

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Queriam fazer um bolo e eu cedi. Porque não? É fim de semana e apesar do calor não convidar a ligar o forno, há uma certa indulgência nestas pausas da semana onde me apetece quebrar todas as regras e rotinas.

Um dos livros de gastronomia que ultimamente ando a espreitar, não é propriamente uma novidade editorial. Trata-se de um livro de 2009 da Tessa Kiros sobre a gastronomia portuguesa. De resto, é sempre interessante ver como os de fora interpretam a nossa narrativa gastronómica.

O livro, além de visualmente ser muito apelativo, é fiel aos sabores mais tradicionais da cozinha nacional. Para além dos pratos mais típicos, Tessa inclui, ainda, receitas «emocionais». Receitas que lhe foram transmitidas por pessoas com quem se cruzou nesta viagem gastronómica a Portugal; que não remetem propriamente para as tradições mais genuínas do nosso retângulo, mas que contam a história dos que nele habitam. Como este bolo de cerveja…

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A receita foi-lhe dada por uma angolana com a indicação que deveria usar uma cerveja preta forte que dê bom sabor ao bolo. Assim se fez…

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Bolo de cerveja

Tessa Kiros | Sabores e Cozinha – Ao Encontro de Portugal, p. 203

Ingredintes:

175 g de manteiga sem sal amolecida(usei com sal)

175 g de açúcar ( usei amarelo)

3 ovos

1 colher de chá de extrato de baunilha

1 colher de sopa de leite

200 ml de cerveja preta

1 colher de chá de raspa de limão (usei laranja)

150 ml de mel

300 g de farinha de trigo

1 colher de chá de fermento em pó

1 colher de chá de bicarbonato de sódio

1 colher de chá de canela em pó

Raspa de noz-moscada

55 g de nozes ou outros frutos secos (usei amendois)

 

Preparação

Pré-aquecer o forno a 180 graus.

Untar uma forma redonda de 20 cm com manteiga e polvilhar com farinha.

Misturar a manteiga, o açúcar e a baunilha até obter um creme.

Adicionarvos ovos, um a um, batendo sempre.

Misturar o leite com a cerveja, a raspa de laranja e o mel.

Peneirar a farinha, o fermento, o bicarbonato e as especiarias para a massa anterior.

Misturar os frutos secos e transferir a massa para a forma.

Levar ao forno cerca de 50 minutos. Deixara arrefecer na forma cerca de 10 minutos antes de desenformar.

Este é um bolo húmido que se conserva bem durante vários dias ( isto se os comensais não forem gulosos).

Rende cerca de 12 fatias.

Depois das leituras no Sul, eis a seleção de livros para estes dias. Não há um critério esquemático nesta escolha e pode até, eventualmente, sofrer alterações, acrescentos… é uma escolha ao sabor do desejo de mergulhar em alguns clássicos  que ficaram a aguardar a sua vez; releituras que me fazem sempre bem; ensaios que são transformadores das nossas consciências; autores portugueses mais recentes que apetece descobrir; os consagrados e claro, sempre em busca de mais qualquer coisa que remeta para a História da Alimentação.

E vocês, o que andam a ler?

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Rústica

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Ainda que para estes dias apeteça cozinhados que não implique ligar o forno, deixo-vos uma tarte que necessita do dito mas que justifica o sacrifício.

Com a fruta caseira em abundância a chegar à mesa, para além de a consumirmos ao natural, aplica-se noutras versões cozinhadas, salgadas e doces.

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Apesar desta ser uma tarte doce, é-o sobretudo pela fruta e não pela quantidade de açúcar. Por isso, sabe muito bem num pequeno almoço mais guloso, ou numa versão mais indulgente com uma bola de gelado ou sorvete.

Usei peras e morangos, mas a escolha de variedades é enorme.

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Tarte rústica de fruta

Base

200 g de farinha de trigo sem fermento

170 g de manteiga fria

1 pitada de sal

* Peneirar a farinha para uma taça

* Cortar a manteiga fria em quadradinhos

* Preparar a massa, desfazendo a manteiga com a farinha, até obter uma espécie de areia

* Amassar formando uma bola, envolver em película e deixar repousar no frigorífico cerca de 30 minutos

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Recheio

750 kg de fruta (usei 400 g de peras e 350 de morangos)

90 g de açúcar mascavado

1 colher de chá de gengibre fresco ralado

1 colher de café de erva-doce

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* Ligar o forno a cerca de 180º

* Cortar a fruta de forma laminada ou como entender mais conveniente

* Adicionar o açúcar, o gengibre e a erva-doce

* Reservar enquanto estende a massa

* Estender a massa sobre o tabuleiro com papel vegetal na base

* Colocar a fruta sobre a massa, sobretudo ao centro, tendo o cuidado de deixar um bordo suficiente para dobrar um pouco sobre a fruta

* Reservar a calda que resulta da maceração da fruta

* Levar a tarte ao forno cerca de 30 a 40 minutos, ou até que a massa fique ligeiramente dourada

* Servir morna ou fria, regando com a calda da fruta

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«De ser laranja gomo a gomo…»

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Do Sul vieram laranjas, como já é tradição. Claro que ao longo do ano procuro adquirir também as de lá. Mas estas são diferentes, compradas aos pequenos produtores, nas bancas improvisadas ao longo das estradas, junto às suas casas.

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Pediram-me um granizado. Tinha alguns frutos vermelhos e ainda pensei usar, como já em tempos fiz numa versão mais para adultos. Mas depois ocorreu-me usar as laranjas sumarentas. E o resultado foi muito bom, refrescante e a repetir ao longo do verão, nos dias mais quentes que se adivinham.

Granizado de laranja

500 ml de sumo de laranja

300 ml de água

3 colheres de sopa de açúcar mascavado

1 flor de anis

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Preparação:

* Dissolva o açúcar na água, num tacho, e leve a ferver, juntamente com a flor de anis.

* Retire do lume e deixe arrefecer.

* Espremer as laranjas até obter 500 ml de sumo.

* Misture o xarope de açúcar.

* Leve a congelar num tabuleiro pelo menos 4 horas.

* Na altura de servir, usar um garfo e raspar o preparado obtendo o efeito de granizado.

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Fui «roubar» o título do post a este poema da Natália Correia:

Uma laranja para Alberto Caeiro

Venho simplesmente dizer
que uma laranja é uma laranja
e comove saber que não é ave
se o fosse não seriam ambas
uma só coisa volátil e doce
de que a ave é o impulso de partir
e a laranja o instinto de ficar.
Não sei de nada mais eterno
do que haver sempre uma só coisa
e ela ser muitas e diferentes
e cada coisa ternamente ocupar
só o espaço que pode rodeada
pelo espaço que a pode rodear.
Sei que depois de laranja
a laranja poderá ser até
mesmo laranja se necessária
mas cada vez que o for
sê-lo-á rigorosamente
como se de laranja fosse
a exacta fome inadiável.
De ser laranja gomo a gomo
o íntimo pomo como se enternece
e não cabe em si de amor
embriagada de saber
que a sua morte nos será doce.
 in «O Vinho e a Lira»O Diário de Cynthia
Poesia Completa

Comidas, praias e livros…

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Quando o movimento de rumo ao Sul se inicia, eu estou de regresso. Todos os anos assim. Cada vez mais a apreciar que assim seja. Nos últimos dias de primavera, vão-se buscar os fatos de banho, roupas leves e os livros que se querem ler por estes dias e ruma-se ao Sul.

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Não entendo bem o que são as leituras «leves» de verão. Para além de levar alguns quilos, continuam a ser os mesmos livros que gosto de ler no inverno, na primavera ou no outono.

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O verão não altera as minhas preferências literárias, mas influencia claramente as minhas escolhas culinárias. Ai sim há comida de verão e há comida das restantes estações do ano, quanto mais não seja porque a sazonalidade (que tanto aprecio) assim o determina.

Os dias no Sul têm um ritmo diferente, fico muito mais longe da cozinha, mas nunca totalmente. Gosto de ir conhecendo restaurantes novos, mas gosto igualmente de voltar aos sítios do costume, aqueles que já fazem parte da minha narrativa por aqueles lados. Este ano tivemos sorte nas escolhas, nas descobertas.

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Mas também tivemos sorte na pescaria, ou  apanha. Fomos ao lingueirão e correu bem, ao ponto de se preparar um arroz. Por isso, menos longe da cozinha, pelo menos um dia.

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Também se descobriram praias, daquelas que parecem um segredo e que assim queremos que continuem.

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Praias que não andam na boca de toda a gente, algumas com nomes estranhos que nem parecem portugueses, outras a que se acede por caminhos difíceis que deixa de fora os menos corajosos ou até os mais preguiçosos. Mas praias que no próximo ano não serão uma descoberta, que passarão a estar na lista dos sítios do costume.

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Como a piscina, que é sempre a mesma, mas que é sempre palco de muita animação.

Fica a receita do meu arroz de lingueirão, feito com o resultado de um dia de muito entusiasmo na apanha do dito.

Arroz de lingueirão com tomate e coentros

1 kg de lingueirão

1 chávena de arroz carolino

1 dl de azeite

1 cebola picada

3 dentes de alho picados

2 tomates

1 folha de louro

1 ramo de coentros

3 chávenas de água da cozedura dos lingueirões

sal q. b.

 

Preparação

Depois de lavar bem os lingueirões colocar num recipiente com água com sal aproximadamente 6 horas.

Lavar novamente, colocar num tacho com água sem sal só a cobrir o fundo, e levar ao lume. Quando levantar fevura, esperar 1 minuto e retirar. Reservar a água da cozedura.

Num tacho largo, deitar o azeite, a cebola e o alho e levar a lume brando para refogar até alourar.

Entretanto, separar os lingueirões das cascas e partir em 2 ou 3 bocados conforme o tamanho. Medir a água da cozedura e acrescentar água se for necessário para perfazer as 3 chávenas.

Juntar ao tacho do refogado o louro, o tomate e as 3 chávenas de água. Quando ferver acrescentar o arroz. Retomando a fervura baixar o lume para o mínimo, e deixar cozer cerca de 12 minutos. A meio da cozedura juntar os lingueirões e no último minuto acrescentar os coentros picados. Servir de imediato e apreciar o mar na boca.

 

e novidades?

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Não é inédito colocar por aqui receitas de saladas com leguminosas. E não será, certamente, a última vez! Quando a primavera chega com toda esta força e dá vontade de deixar de lado os pratos quentes e reconfortantes, as saladas começam a entrar na rotina da minha cozinha.

Com leguminosas, pois claro, com ovos caseiros que estão sempre na dispensa (nunca uso o frigorífico…ups!) e com o que ditar a hora, mais ou menos inspirada. Poucas novidades, bem sei!!!!

Este almoço a dois tinha duas premissas: rápida execuação; aproveitar a última caixinha de feijão-frade congelado.

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Para fugir ao convencional de acrescentar atum e ovos cozidos, deliberadamente entraram os tomate cereja e a conjugação vencedora de talos de aipo e maçã. Bem sei que aipo cru não é do agrado da generalidade das pessoas, mas se tivermos o cuidado de retirar as fibras e cortarmos finamente, vai ver quão rapidamente entra nos seus hábitos.

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