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Rústica

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Ainda que para estes dias apeteça cozinhados que não implique ligar o forno, deixo-vos uma tarte que necessita do dito mas que justifica o sacrifício.

Com a fruta caseira em abundância a chegar à mesa, para além de a consumirmos ao natural, aplica-se noutras versões cozinhadas, salgadas e doces.

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Apesar desta ser uma tarte doce, é-o sobretudo pela fruta e não pela quantidade de açúcar. Por isso, sabe muito bem num pequeno almoço mais guloso, ou numa versão mais indulgente com uma bola de gelado ou sorvete.

Usei peras e morangos, mas a escolha de variedades é enorme.

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Tarte rústica de fruta

Base

200 g de farinha de trigo sem fermento

170 g de manteiga fria

1 pitada de sal

* Peneirar a farinha para uma taça

* Cortar a manteiga fria em quadradinhos

* Preparar a massa, desfazendo a manteiga com a farinha, até obter uma espécie de areia

* Amassar formando uma bola, envolver em película e deixar repousar no frigorífico cerca de 30 minutos

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Recheio

750 kg de fruta (usei 400 g de peras e 350 de morangos)

90 g de açúcar mascavado

1 colher de chá de gengibre fresco ralado

1 colher de café de erva-doce

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* Ligar o forno a cerca de 180º

* Cortar a fruta de forma laminada ou como entender mais conveniente

* Adicionar o açúcar, o gengibre e a erva-doce

* Reservar enquanto estende a massa

* Estender a massa sobre o tabuleiro com papel vegetal na base

* Colocar a fruta sobre a massa, sobretudo ao centro, tendo o cuidado de deixar um bordo suficiente para dobrar um pouco sobre a fruta

* Reservar a calda que resulta da maceração da fruta

* Levar a tarte ao forno cerca de 30 a 40 minutos, ou até que a massa fique ligeiramente dourada

* Servir morna ou fria, regando com a calda da fruta

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«De ser laranja gomo a gomo…»

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Do Sul vieram laranjas, como já é tradição. Claro que ao longo do ano procuro adquirir também as de lá. Mas estas são diferentes, compradas aos pequenos produtores, nas bancas improvisadas ao longo das estradas, junto às suas casas.

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Pediram-me um granizado. Tinha alguns frutos vermelhos e ainda pensei usar, como já em tempos fiz numa versão mais para adultos. Mas depois ocorreu-me usar as laranjas sumarentas. E o resultado foi muito bom, refrescante e a repetir ao longo do verão, nos dias mais quentes que se adivinham.

Granizado de laranja

500 ml de sumo de laranja

300 ml de água

3 colheres de sopa de açúcar mascavado

1 flor de anis

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Preparação:

* Dissolva o açúcar na água, num tacho, e leve a ferver, juntamente com a flor de anis.

* Retire do lume e deixe arrefecer.

* Espremer as laranjas até obter 500 ml de sumo.

* Misture o xarope de açúcar.

* Leve a congelar num tabuleiro pelo menos 4 horas.

* Na altura de servir, usar um garfo e raspar o preparado obtendo o efeito de granizado.

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Fui «roubar» o título do post a este poema da Natália Correia:

Uma laranja para Alberto Caeiro

Venho simplesmente dizer
que uma laranja é uma laranja
e comove saber que não é ave
se o fosse não seriam ambas
uma só coisa volátil e doce
de que a ave é o impulso de partir
e a laranja o instinto de ficar.
Não sei de nada mais eterno
do que haver sempre uma só coisa
e ela ser muitas e diferentes
e cada coisa ternamente ocupar
só o espaço que pode rodeada
pelo espaço que a pode rodear.
Sei que depois de laranja
a laranja poderá ser até
mesmo laranja se necessária
mas cada vez que o for
sê-lo-á rigorosamente
como se de laranja fosse
a exacta fome inadiável.
De ser laranja gomo a gomo
o íntimo pomo como se enternece
e não cabe em si de amor
embriagada de saber
que a sua morte nos será doce.
 in «O Vinho e a Lira»O Diário de Cynthia
Poesia Completa

Comidas, praias e livros…

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Quando o movimento de rumo ao Sul se inicia, eu estou de regresso. Todos os anos assim. Cada vez mais a apreciar que assim seja. Nos últimos dias de primavera, vão-se buscar os fatos de banho, roupas leves e os livros que se querem ler por estes dias e ruma-se ao Sul.

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Não entendo bem o que são as leituras «leves» de verão. Para além de levar alguns quilos, continuam a ser os mesmos livros que gosto de ler no inverno, na primavera ou no outono.

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O verão não altera as minhas preferências literárias, mas influencia claramente as minhas escolhas culinárias. Ai sim há comida de verão e há comida das restantes estações do ano, quanto mais não seja porque a sazonalidade (que tanto aprecio) assim o determina.

Os dias no Sul têm um ritmo diferente, fico muito mais longe da cozinha, mas nunca totalmente. Gosto de ir conhecendo restaurantes novos, mas gosto igualmente de voltar aos sítios do costume, aqueles que já fazem parte da minha narrativa por aqueles lados. Este ano tivemos sorte nas escolhas, nas descobertas.

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Mas também tivemos sorte na pescaria, ou  apanha. Fomos ao lingueirão e correu bem, ao ponto de se preparar um arroz. Por isso, menos longe da cozinha, pelo menos um dia.

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Também se descobriram praias, daquelas que parecem um segredo e que assim queremos que continuem.

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Praias que não andam na boca de toda a gente, algumas com nomes estranhos que nem parecem portugueses, outras a que se acede por caminhos difíceis que deixa de fora os menos corajosos ou até os mais preguiçosos. Mas praias que no próximo ano não serão uma descoberta, que passarão a estar na lista dos sítios do costume.

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Como a piscina, que é sempre a mesma, mas que é sempre palco de muita animação.

Fica a receita do meu arroz de lingueirão, feito com o resultado de um dia de muito entusiasmo na apanha do dito.

Arroz de lingueirão com tomate e coentros

1 kg de lingueirão

1 chávena de arroz carolino

1 dl de azeite

1 cebola picada

3 dentes de alho picados

2 tomates

1 folha de louro

1 ramo de coentros

3 chávenas de água da cozedura dos lingueirões

sal q. b.

 

Preparação

Depois de lavar bem os lingueirões colocar num recipiente com água com sal aproximadamente 6 horas.

Lavar novamente, colocar num tacho com água sem sal só a cobrir o fundo, e levar ao lume. Quando levantar fevura, esperar 1 minuto e retirar. Reservar a água da cozedura.

Num tacho largo, deitar o azeite, a cebola e o alho e levar a lume brando para refogar até alourar.

Entretanto, separar os lingueirões das cascas e partir em 2 ou 3 bocados conforme o tamanho. Medir a água da cozedura e acrescentar água se for necessário para perfazer as 3 chávenas.

Juntar ao tacho do refogado o louro, o tomate e as 3 chávenas de água. Quando ferver acrescentar o arroz. Retomando a fervura baixar o lume para o mínimo, e deixar cozer cerca de 12 minutos. A meio da cozedura juntar os lingueirões e no último minuto acrescentar os coentros picados. Servir de imediato e apreciar o mar na boca.

 

e novidades?

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Não é inédito colocar por aqui receitas de saladas com leguminosas. E não será, certamente, a última vez! Quando a primavera chega com toda esta força e dá vontade de deixar de lado os pratos quentes e reconfortantes, as saladas começam a entrar na rotina da minha cozinha.

Com leguminosas, pois claro, com ovos caseiros que estão sempre na dispensa (nunca uso o frigorífico…ups!) e com o que ditar a hora, mais ou menos inspirada. Poucas novidades, bem sei!!!!

Este almoço a dois tinha duas premissas: rápida execuação; aproveitar a última caixinha de feijão-frade congelado.

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Para fugir ao convencional de acrescentar atum e ovos cozidos, deliberadamente entraram os tomate cereja e a conjugação vencedora de talos de aipo e maçã. Bem sei que aipo cru não é do agrado da generalidade das pessoas, mas se tivermos o cuidado de retirar as fibras e cortarmos finamente, vai ver quão rapidamente entra nos seus hábitos.

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Os amores de Pedro e Inês…

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Um dos projetos mais recentes em que estou envolvida decorreu num dos locais mais bonitos de Coimbra, repleto de histórias para descobrir, recantos encantadores, e a mística própria de lugares emblemáticos que marcam a História de Portugal.

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Do projeto ainda não posso dar muitos detalhes. Lá mais para o verão…

mas claro que envolve comida:

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Mãos profissionais…

Deixo ainda algumas imagens dos locais bonitos que irão servir de palco para os ingredientes perfeitos.

O sal verde do mar

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A fechar o mês de maio, as atividades sobre a salicórnia deram azo a mais uma oficina de culinária no Mercado Municipal.

Desta vez marcaram presença o Wine Bar Cristal, com o Ricardo o preparar um cocktail aromatizado com salicórnia.

Em simultâneo, o José João, da Casa do Sal, como tem sido hábito, deu a conhecer a manteiga com salicórnia e um substancial arroz, preparado com o grão dos campos do Mondego, e enriquecido com a salicórnia.

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Antes disso, foi possível assistir a mais uma Conversa(s) à volta da Salicórnia, com Maria João Barroca, investigadora da Unidade I&D “Química-Física Molecular” da Universidade de Coimbra a esclarecer sobre as características e potencialidades do «sal verde do mar».

Com a salicórnia regressamos em agosto, para encerrar a época com um gin na Salina Corredor da Cobra, no Núcleo Museológico do Sal.

 

«Quem vende galinha come sardinha…»

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Col. Arquivo Fotográfico Municipal da Figueira da Foz

A sardinha é um peixe singular, cuja apreciação tem evoluído e divergido ao longo dos tempos. Hoje, em algumas épocas festivas, alcança preços que a colocam no topo da hierarquia do pescado. Mas nem sempre foi assim.

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Sardinhas panadas. A Nossa Mesa, pp. 54|55.

Recuemos à mesa pobre do Portugal quinhentista onde, de facto, a sardinha é o peixe mais consumido pelo povo miúdo, como atesta o relato da viagem efetuada pelos dois embaixadores da república veneziana, Tron e Lippomani, a este reino, com intento de cumprimentar Filipe II pela conquista do reino:

«O povo miúdo vive pobremente, sendo a sua comida diária sardinhas cozidas, salpicadas, que se vendem com grande abundância por toda a cidade. Raras vezes compram carnes, porque o alimento mais barato é esta casta de peixe, que se pesca em notável cópia fora da barra, como se pesca muito outro de todas as qualidades e muito grande […] e tão caro, que se faz espanto aos estrangeiros e custa muito aos naturais que passam mal pelo preço excessivo de tudo o que serve para o sustento.» «Viagem a Portugal dos Cavaleiros Tron e Lippomani – 1580», 1985, p. 368

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Escabeche à Figueira antiga . A Nossa Mesa, pp. 34|35

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Amêijoas à marinheiro. A Nossa Mesa, pp. 206|207.

Da sardinha e de outro pescado versará a minha comunicação no próximo Fórum-Estudante de História e Culturas da Alimentação, a decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no próximo dia 23 de maio.

O programa completo pode ser consultado aqui.

 

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