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De novo a salicórnia

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De novo a salicórnia!

Porque em maio ela está no seu melhor, vamos dar de novo palco a esta planta endógena e que já entra em tantas mesas portuguesas.

Este ano, para além das oficinas de culinária no Mercado Municipal, vamos ter sessões de esclarecimento por quem sabe.

Para finalizar, terminamos com um gin temperado com salicórnia das nossas salinas no Núcleo Museológico do Sal, animado pelo DJ figueirense Joaquim Gaspar.

Para os que tiverem oportunidade, fica um programa diferente, para estes dias solares que se avizinham.

Fórum-Estudante em História e Culturas da Alimentação

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Como se pode ler no site de divulgação do evento:

O Fórum-Estudante de História & Culturas da Alimentação, que neste ano de 2016 regista a sua terceira edição, destina-se à apresentação e discussão de trabalhos de pesquisa por investigadores não doutorados ou de pós-doutoramento que abordem a temática pluridimensional da Alimentação.

Fica a divulgação para os que se interessam pela temática.

 

«O apetite nasce à (nossa) mesa»

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A convite do Rotary Club da Figueira da Foz, «A nossa mesa…» volta a ser tema de conversa.

A Mesa e as Artes

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O Palácio Nacional da Ajuda e as suas coleções são por si só motivo suficiente para uma visita. Porém, as suas programações justificam ainda mais uma visita. Maio é um mês repleto de iniciativas culturais, um pouco por todo o lado. Por lá, logo no início do mês, o programa é à volta da mesa e das artes, como podem ver no programa.

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Informações sobre as inscrições:

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História da Alimentação por quem sabe…

De 14 de abril a 11 de maio, Inês de Ornellas e Castro, co-coordenadora do projeto DIAITA, e Isabel Drumond Braga, investigadora associada ao projeto, ministram o curso “História da Alimentação”, composto de 8 sessões.
O curso terá lugar no El Corte Inglés de Lisboa e as inscrições, gratuitas, deverão ser feitas até ao dia 29 de março. Mais informações no telefone 21 371 17 93 ou através do email relacoespublicas@elcorteingles.pt .

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Para quem está por Lisboa, ou a ela se pode deslocar com facilidade, eis uma sugestão apetecível para fins de tarde!

 

Jardim da Páscoa

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Foto Inês Pinto

De 19 de março a 3 de abril, decorre no Jardim Municipal da Figueira da Foz , o “Jardim da Páscoa”, com diversas iniciativas, como se pode consultar aqui.

Uma delas acontece amanhã, pelas 16H00. O público vai ser convidado a provar e a eleger «O Melhor Folar Tradicional de Páscoa da Figueira da Foz». Estão a concurso 14 padarias e pastelarias do nosso concelho e a eleição vai ser realizada com a colaboração da Escola Profissional da Figueira da Foz, a Câmara Municipal, e associações comerciais, industrias e da restauração.

No livro «A Nossa Mesa: receituário gastronómico da Figueira da Foz» encontram-se algumas referências às tradições da Quaresma e da Páscoa, com várias receitas e os incontornáveis folares

No domingo gordo não comas horto que está o Senhor morto.

A Páscoa, grande celebração católica, é a Ressurreição de Cristo, a Páscoa que representa e vida e o renascimento e por isso muitas vezes simbolicamente associada ao ovo que tem, na sua simbologia mais profunda o atributo da fecundidade e da abundância, ocupando de forma indelével as celebrações pascais, nomeadamente com o típico folar.

O implacável jejum quaresmal era, então, quebrado no domingo de Páscoa. Nas zonas rurais da margem sul do concelho lembram o almoço desse santo domingo com carne de porco e grão de bico e ainda massa meada e os folares.

Em Vila Verde o melhor galo saia da capoeira para um arroz de cabidela ou arroz pardo. Também aqui a tradição do folar é assumida, tendo uma técnica alternativa à coloração dos ovos para o remate. Para além da possibilidade de serem cozidos com casca de cebolas, acede-se ao mesmo efeito usando café de cevada.

Nas mesas mais abastadas e burgueses, os alimentos especiais que definem o final das restrições são também a carne, essencialmente o cabrito e a galinha. A adoçar o final da refeição o arroz-doce, sempre adequado e fiel aos dias das celebrações e festividades.

Fica o folar típico da freguesia de Paião, com fotos da autoria de Inês Pinto que acompanhou todos os passos.

Folares da Celeste

(Maria Celeste Cordeiro da Silva – Paião)
in «A Nossa Mesa: receituário gastronómico da Figueira da Foz», pp. 288-289.

5 kg de farinha de trigo com fermento; 1.750 grs de açúcar; 20 ovos; 350 grs de fermento de padeiro; 400 grs de manteiga; 1 mão cheia de sal grosso; leite q.b., para dissolver o fermento; raspa de 4 limões; nota: não leva canela nem erva doce

Prepara-se uma massa de fermento com: leite morno q.b. para trabalhar o fermento, 1,5 kg de farinha, 350 g de fermento de padeiro e 10 ovos. Repousa em ambiente aquecido, sem tapar, durante cerca de 45 minutos.

Num alguidar de barro coloca-se a restante farinha peneirada, o açúcar, 300 g de manteiga derretida, sal grosso dissolvido num pouco de água morna, raspa de 4 limões e 10 ovos batidos ligeiramente antes de juntar à massa.

Amassa-se a mistura até ficar num ponto de areado. Junta-se a massa de fermento e vai-se trabalhando a massa, adicionando a restante manteiga derretida e leite morno, sempre que se justificar, para amaciar a massa até esta se despegar das mãos.

Em seguida polvilha-se a massa com farinha de trigo, faz-se uma cruz, com a mão, põe-se uma colher de pau que vá de uma ponta à outra do alguidar, no mesa e um cobertor para levedar. Por vezes põe-se um tacho com água quente por debaixo do alguidar para levedar mais depressa. Levam cerca de 2 horas a levedar.

Depois de levedados, envolvem-se as mãos em farinha de trigo e tiram-se pequenas quantidades de massa do alguidar, fazendo bolas que se colocam em cima de uma bancada, polvilhada de farinha, enquanto o forno acaba de aquecer. Para que os folares não ganhem muito lastro (fundo queimado), coloca-se um pouco de farinha em cima de uma folha de papel (saco de papel da farinha, por ex.) e a bola de massa sobre esse papel. Quando estas bolas estão em cima da pá para entrarem no forno, dá-se-lhe um golpe com uma tesoura, que é para a massa crescer e pularem.

Um folar tradicional deve levar o ovo e a massa em cruz, (pela simbologia pascal associada a ambos). Para o efeito, cozem-se os ovos em água com cascas de cebola, para lhes dar um tom avermelhado e colocam-se em cima do bolo antes de entrar no forno. Antes de colocar o folar no forno, deverão ser pincelados com ovo batido para que ganhem cor durante a cozedura.

É também tradição, depois de colocados os folares no forno e antes de os fechar, colocar folhas de louro verde em cima das brasas que ficam junto à boca do forno. Tal contribui para a cor e aroma dos folares. Como diz o povo quando o louro queima “cheira a folares”. Para ver se estão cozidos utiliza-se um palito. Ao retirar do forno tira-se a folha de papel do fundo (que fica ligeiramente agarrada à massa) e sacode-se a farinha que ficou em excesso.

 

A Semana dos Peixes Tradicionais

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Raia enxambrada. Foto Guida Cândido

«A Semana dos Peixes Tradicionais» decorre de 18 a 27 de Março na Figueira da Foz, e é a primeira semana dos Festivais Gastronómicos organizados pela Figueira com Sabor a Mar, com diversos restaurantes aderentes e com protagonismo para o carapau, faneca, polvo, raia e pata-roxa. Mais sobre o programa pode ser consultado aqui.

No livro da gastronomia figueirense, a raia também teve destaque:

Qualquer dicionário de língua portuguesa nos define a raia como um peixe de esqueleto cartilaginoso e corpo achatado, cauda larga e delgada, que vive no mar e de que se conhecem várias espécies.

Mas por aqui ela é muito mais do que isso. É, sobretudo, a raia de pitau, tantas vezes associada à gastronomia da Figueira da Foz; é a raia das tranqueiras outrora a cenografar as muralhas de Buarcos.

De tal forma entranhada nos usos das gentes do concelho, fez nascer um movimento em sua defesa. A Associação Gastronómica “Companha da Raia” é uma entidade sem fins lucrativos, criada por escritura pública no verão de 2012 com o desejo de preservar um património gastronómico, identitário da Beira Litoral, em particular do concelho da Figueira da Foz.

Ficha 1273 - 1864
Tranqueiras. Buarcos. Primeira metade século XX. Col. Arquivo Fotográfico Municipal da Figueira da Foz

Fica uma das receitas do livro «A Nossa Mesa: receituário gastronómico figueirense», p. 63.

Origem: Junta de Freguesia de Buarcos. Execução: Restaurante o Búzio

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Foto Guida Cândido

Raia Enxambrada

Raia; sal; azeite; alho; pimenta; batatas.

Amanha-se e lava-se bem a raia. Salpica-se com sal e coloca-se a secar ao sol durante aproximadamente duas horas, variando este tempo com o clima. O local deve ser livre de insetos e bem arejado.

Quando a pele da raia se apresentar enrugada está pronta a ser grelhada. Depois deve desfiar-se e temperar-se com bastante azeite, alho e pimenta. Acompanha normalmente com batatas a murro.

Um dos petiscos e merendas mais apreciadas, também utilizada como refeição dos pescadores.

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