Fiz uma pausa no trabalho e no blog. Uma pausa que me levou a outras paragens, a descobertas, a um enriquecimento. Todas as viagens me acrescentam: pelo que vejo, pelo que provo, pelo que ouço, pelo que toco, pelo que cheiro. Tem tudo a ver com os sentidos, com o entendimento das coisas. Até um simples cappuccino envolve a experiência sensorial: uma chávena que admiro, o calor que as mãos recebem de a envolver, o aroma que fica ao redor da mesa, o sabor inigualável do café em Itália e as conversas que descortino nas mesas vizinhas, numa língua tão cantada e alegre.

Gosto destas viagens. De observar para além do guia turístico, de olhar as pessoas, os hábitos, as ruas e edifícios que não fazem parte da lista dos locais a visitar. Onde há sempre uma particularidade que me atrai. E fazer constatações. Perceber que a Europa está a ficar um continente de adultos. Não vejo crianças. Não vejo crianças para além das poucas que acompanham alguns (poucos) turistas. E é estranho, embora as estatísticas nos estejam sempre a revelar essa verdade.

Regressei a este sol, e também isso foi estranho. Uma semana sem sol e sem cozinhar e a perceber que ambos me fazem falta. Cozinhar. Querer experimentar tantas coisas. Um atropelo de coisas. Uma lista a que não consigo dar prioridades. E se eu fosse de fazer planos no início de cada ano civil, começaria agora uma lista. Mas eu ainda tenho vícios de estudante, e o meu calendário é mais o escolar do que o civil. A curta experiência como professora também intensificou esse correr do calendário. O ano começa em setembro, termina em julho e depois há agosto que é uma espécie de limbo. Por isso não tenho agora uma lista para 2012, tenho objetivos que se arrastam de 2011, com alguma desordem porque nada é linear na vida. O que até é bom, apesar da minha tendência para a ordem e organização. Também é bom o inesperado, as surpresas e desafios que aparecem de forma natural. E as pessoas. Aquelas que vamos descobrindo de um jeito diferente do convencional. Esta experiência do blog que me faz acreditar que é possível sentir empatia com pessoas que nunca vi, a que não conheço os rosto, a voz, e que são uma voz diária. Uma visita que já faz parte da rotina. Começar o dia a ver o mail (que saudades das cartas escritas com caneta de tinta permanente, em papel pautado ou não e envelopes delicadamente manuscritos), abrir os principais títulos da imprensa e não resistir a ver o que é que cada uma tem para dizer, para partilhar… e isso ser natural no meu dia, mas deixar-me sempre uma sensação estranha de não abarcar completamente o significado desta rede.  Porque algumas até estão fisicamente ao meu lado e eu não conheço.  Não terei de ter as respostas todas. Deve ser isso. Devo fruir. Devo apenas ficar feliz por encontrar pessoas a quem me apetece dizer que gosto delas, do que escrevem, do que mostram, do que cozinham, do que fotografam, dos desafios que lançam.

Dever ser isso. Deve bastar!

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