Se eu disser que gosto pouco de sobremesas e doces de uma forma geral, parece difícil de acreditar tendo em conta os últimos posts. Contudo, é verdade! Não troco uma torrada com manteiga por uma fatia de bolo! Chego a não provar um único queque das múltiplas fornadas que vou fazendo. Tirando as incontornáveis bolachas Maria (para os devaneios das meninas), na nossa despensa não existem bolachas ou biscoitos. Exceção feita aos saquinhos de biscoitos de milho que pontualmente aparecem pelas mãos amigas do nosso amigo P, vindos de Baião. Ainda ontem dei conta de meio saco de “beijinhos” das Caldas da Rainha, com o prazo de validade ultrapassado e que ficaram esquecidos desde a última visita àquelas paragens (fevereiro)!

Mas o facto de não os apreciar, não invalida que os vá preparando para quem gosta. Para algumas refeições mais especiais, comemorações, uma merenda mais demorada ou num gesto de partilha.

Foi assim que apareceu este trifle na nossa mesa. Uma vez que a Páscoa é sempre nas mesas dos pais, antecipámos a nossa com um jantar a partilhar com amigos. Daqueles que gostam muita da sobremesa, que fazem dela a protagonista da festa. Como um jantar durante a semana de trabalho exige medidas de organização mais precisas, onde o tempo de execução é mais limitado, assumo sempre prepará-la na véspera à noite ou na hora de almoço do próprio dia.

Umas semanas antes tinha tentado replicar um bolo que vi no blog da Ilídia (que está hoje a comemorar o aniversário) pareceu-me um daqueles que ia apreciar com um chá. Correu mal! Acho que não escolhi bem a forma! Mas contornei. Mais de metade foi congelado já a pensar numa sobremesa de emergência. Assim, no dia do dito jantar, logo pela manhã, tirei o bolo do congelador e deixei o tempo fazer o seu trabalho.

Na véspera à noite, poucos minutos antes de me agarrar ao tijolo As Luzes de Leonor que me traz cativa, ainda fui mexer nos tachos e fazer uma receita de curd que a Ana tinha partilhado no dia anterior. Pareceu-me ideal para compor o trifle.

Com a ajuda virtual destas duas amigas, à hora de almoço compus a sobremesa que rematou o jantar. Apesar da acidez do curd e das framboesas, para mim ainda é demasiado doce. As meninas ficaram-se pelas framboesas que foram roubando das diferentes taças. Uma aqui, outra acolá!

Bolo de maçã reineta
180 g de açúcar amarelo
casca de 1 limão
2 maçãs reineta, descascadas
sumo de 1 limão
3 ovos
1 iogurte natural
50 g de azeite
200 g de farinha de trigo integral
1  de chá de fermento
2 colheres de chá de canela em pó

Como procedi:

Pré-aqueci o forno a 180 graus.
Raspei o limão e reservei.
Numa picadora, triturei o sumo de limão e a maçã (esta deverá ficar em pedacinhos). Reservei.
Bati as gemas com o açúcar e a raspa de limão. Adicionei o iogurte e o azeite e continuei a bater. Adicionei a farinha, o fermento e a canela e bati mais um pouco. Adicionei a maçã reservada e envolvi, com a ajuda de uma espátula.
Bati as claras em castelo e adicionei ao preparado anterior, envolvendo bem, sem bater.
Coloquei a massa numa forma de silicone, toda cheia de relevos ( e foi isso que correu mal quando chegou a hora de desenformar, por isso optar por uma forma convencional, untada com manteiga e polvilhada com farinha). Levei ao forno pré-aquecido, cerca de 55 minutos.
Curd
2 ovos
75 gramas de açúcar
Raspa de 1 laranja e 1 limão
2,5 dl  sumo laranja e limão
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de farinha Maizena

Como procedi:

Numa tigela coloquei metade da raspa da laranja e do limão. Por cima da tigela coloquei um passador de rede. Numa caçarola misturei o açúcar, a farinha,  um pouco do sumo de fruta, os ovos batidos e metade da raspa dos citrinos. Misturei bem para evitar grumos, acrescentei o resto do sumo e levei a lume médio sem parar de mexer. Em minutos comecei a sentir o preparado a engrossar, continuei a mexer sempre até conseguir ver o fundo da caçarola. Retirei do lume,  acrescentei a manteiga batendo bem. Passei o preparado pelo passador de rede. Para evitar que  se forme uma “pele” na superfície do curd, cubri com película aderente enquanto arrefeceu. (O plástico tem de estar em contacto com o curd.) Coloquei  no frigorífico até à hora de preparar o trifle.

Montagem do trifle:
Em taças de vidro comecei por colocar fatias de bolo de forma a cobrir a base  e salpique-as com calda de laranja.
Por cima coloquei gomos de laranja sem pele e por cima deles uma camada de curd.
Nova camada de fatias de bolo, mais calda e framboesas cobertas com curd e nova camada de framboesas. Para dar cor, umas folhinhas de hortelã. Servi frio, mas prefiro à temperatura ambiente.