Começo por lhe dizer que o jantar será composto por alguns petiscos. Coisas que me apetecem lembrar do Vila. Comida do Algarve que não soa a cliché.  Parece-lhe bem. Ainda tenta falar do caldo de grão de bico com rabo de boi e hortelã do Vila Lisa. Asseguro-lhe que por aqui continuará inédito.

Depois acrescento que teremos um convidado à mesa. Especial. Vem o Clint Eastwood. Estás a brincar?! Não não estou, digo eu. Vem mesmo. O meu marido pergunta com alguma surpresa se vou pôr o Clint a comer amêijoas à mão. Claro! Ou esperas que o impressione com caviar?! Vou dar-lhe comida autêntica, da nossa gastronomia. Afinal, não dizem que é do melhor que Portugal tem?!

Para além da estupeta de atum, preparo um tiborna, uma sopa de beldroegas e as amêijoas cristãs ao natural. Termino com um pudim de mel e azeite e uma aguardente de medronho. Só para os homens que aguentam a boca a arder.

Enquanto preparo a comida vou pensado nos filmes dele. Nos que protagonizou, nos que realizou. E também naqueles em que esteve nos dois lados. E espanto-me com a evolução.  Os filmes western spaghetti de Sergio Leone estão tão longe do que hoje faz. Muito melhor agora, para mim. As Pontes de Madison County devem ser o único título em que me agradou mais o filme do que o livro. Muito graças a ele, estou convicta.

A cada passo foi melhor. O Mystic River continua a ser doloroso de ver. A Million Dollor Baby um permanente murro no estômago. Os filmes sobre a Segunda Guerra (A Conquista da Honra e as Cartas de Iwo Jima) com uma fotografia tão bela e dura!

E Gran Torino?! O que dizer deste filme que me deixou abalada mas que simultaneamente serenou-me a alma com a música que interpreta. Tão bela aquela música!

Depois penso na comida. Será que lhe vai agradar? Nada sei sobre os seus gostos culinários, apenas que tem um restaurante. O que faz dele um potencial crítico com conhecimento de causa. Mas não me vou apoquentar com tal. As receitas são do José Vila e a sua simplicidade é enaltecida se os produtos forem de qualidade. É genuína. Não é garantido mas acho que vai gostar. Depois recordo uma frase dele e quase consigo ouvir a sua voz rouca: Se você quer garantias compre uma torradeira!

Bem, o melhor é organizar-me. Adiantar os petiscos porque ele vai ser pontual. É um homem disciplinado, disso não há dúvida. Ainda que deva ser assolado por muitas dúvidas… ou paixões. Acho que não lhe vou falar nos diversos casamentos e relações. Mas vamos falar dos filhos. Como não? Sete filhos!

Deixo o seu papel de  golfista e político para o G. Está curioso com a passagem dele como prefeito no estado da Califórnia.

Deve estar quase quase a chegar. Ouço cascos de cavalo. Querem ver que vem armado em cowboy? Imaginação minha. Afinal chega de Mustang e eu estou inebriada!

Amêijoas cristãs ao natural (Sabores da Cozinha Algarvia de José Vila)

1.5 kg de amêijoas

4 dentes de alho

3 colheres de azeite

coentros

1|2 limão

Esmaguei os alhos com casca e, numa frigideira, juntamente com o azeite, deixei alourar. Lavei muito bem as amêijoas e coloquei na frigideira com os coentros grosseiramente partidos à mão. Tapei e deixei abrir lentamente para ficarem suculentas. Servi com algumas gotas de limão.

Foram à mesa para serem comidas à mão, servindo a concha de colher para saborear o molho de sabor marinho.

Com esta receita, participo no desafio Convidei para Jantar… um realizador de cinema. Da autoria da Ana, do blog Anasbageri, encontra-se este mês no blog Menu Verde.