Ao contrário do que se esperava e desejava, as novas tecnologias não nos trouxeram mais tempo. Tempo de ócio e de lazer. Pelo contrário. Embora nos facilitem a vida em termos de execução de diversas tarefas, provocaram também o aumento das mesmas e um sem número de ocupações que antes não existiam.

Não sou avessa aos avanços. Bem pelo contrário. Mas reconheço que eles mexem com o nosso tempo, com o tempo que temos disponível. Por todos nós sentirmos que temos falta de tempo ( se é que esse conceito existe), somos assediados permanentemente com a ideia de fazer rápido e bem. Tudo! Tudo pode ser feito muito rapidamente e ainda sobra tempo para sermos profissionais bem sucedidas; mães empenhadas; donas de casa competentes; mulheres dinâmicas e sempre com aspeto de quem acaba de sair do centro de estética.

Duvido dessa rapidez/sucesso em tantas e diferentes áreas. Mas acredito nessa possibilidade pontual, esporádica, doseada com moderação. Sobretudo, acredito que na cozinha não são necessárias 2 horas de forno mínimo para obter o melhor assado que se traduz numa refeição saborosa e inesquecível. Aceito que o tempo pode ser inquestionável em muitos pratos, mas não determinante em todos. E é por isso, por quase nunca ter o tempo necessário à lentidão de um assado que procuro outras soluções. Rápidas! Sim! Sem comprometer o resultado final e que, simultaneamente me permitam gerir o tempo para todas as outras coisas que se impõem ou desejam.

Por isso considero tão útil ter livros que nos mostram comida apetecível e de rápida execução. Claro que isso implica ter uma despensa bem apetrechada, os frescos sempre à mão e capacidade para improvisar quando isso não é possível.

Foi num momento de gestão rápida de tempo que surgiu esta refeição. A carne era aquela. Ideias ainda não tinham surgido. Saí de casa sem pensar muito no assunto. A conversa com amigos absorveu-me e o resto ficou para improviso. Nem ao fim de semana sou muito flexível com horários, por isso o almoço foi servido à hora do costume e não defraudou ninguém. Costeletas de porco com maçãs acompanhado de polenta. Há casamentos perfeitos. E nada casa tão bem com o porco como a maçã.

Costeletas de porco com maçãs em açúcar amarelo

(adaptado do Cozinha rápida para saborear devagar de Donna Hay)

4 costeletas de lombo de porco

2 colheres de sopa de azeite

2 colheres de sopa de vinagre balsâmico

2 colheres de sopa de coentros picados

2 maçãs vermelhas cortadas em fatias

1/3 de chávena de açúcar amarelo

1 colher de sopa de manteiga

Coloquei as costeletas num prato pouco fundo com o azeite, o vinagre e os coentros. Reservei. Pressionei as fatias da maçã no açúcar amarelo. Aqueci uma frigideira grande em lume médio. Adicionei a manteiga e as fatias de maçã e cozinhei até ficarem douradas e macias. Mantive quente. Aqueci uma frigideira sobre lume forte. Introduzi as costeletas sem a marinada e cozinhei cerca de 5 minutos de cada lado. Servi sobre polenta e polvilhado com coentros frescos.