IMG_6256

Visitando os blogs da minha preferência, reparo que, na generalidade, todos vão referindo o calor excessivo e a pouca vontade de ligar o forno. Compreendo! Por aqui o calor também se faz sentir com muita intensidade. Porém, não concebo a minha cozinha sem o forno. Sobretudo desde que optei por fazer regularmente pão. Não tendo a famosa MFP, não tenho como contornar a situação e, o forno, pelo menos uma vez por semana, entra em ação. Vou fazendo umas limonadas bem frescas para atenuar o calor e hidratar o organismo.

fotografia(3)

Este pão serviu para um almoço em casa de amigos, ao qual juntei uma manteiga com salicórnia que tem sido repetida muitas vezes, aproveitando a sua época.

Já mostrei por aqui a salicórnia e algumas das suas potencialidades. Mas nada como experimentar.

IMG_6254

Pão de trigo e centeio

(adaptado da revista Sabe Bem maio-junho)

400 g farinha trigo 65

300 g farinha centeio integral

420 g água morna

50 g levedura fresca

12 g sal

*Pese os ingredientes.

*Misture a levedura na água até se dissolver completamente.

*Numa tigela misture as farinhas com o sal e adicione aágua com a levedura.

*Envolva até obter uma pasta.

*Coloque a massa numa banca enfarinhada e amasse durante 15 minutos.

*Deixe repousar 30 minutos em temperatura ambiente tapada com um pano quente e húmido.

*Dê-lhe o formato pretendido e deixe fermentar mais 40 minutos.

*Coloque o pão num tabuleiro forrado com papel vegetal e polvilhe-o com farinha.

*Faça cortes com uma faca de serrilha.

*Coza a 200º cerca de 30 a 40 minutos, com uma taça de água no interior para que a humidade ajude a criar crosta.

IMG_6255

Manteiga com salicórnia

(salicórnia recolhida na Salina do Corredor da Cobra – Armazéns de Lavos)

400 ml de natas frescas

50 g de salicórnia picada

*Bater as natas  até que a gordura e o soro se separem.

*Colocar a manteiga num passador e passá-la por bastante água corrente.

*Juntar a salicórnia picada e bem seca.

* Fazer um rolo, com película aderente, e levar ao frigorífico.

IMG_3780

A Salicórnia, na sua designação científica, ou espargos do mar na gíria popular, como lhes chamam os marnotos é uma espécie de praga das salinas, a competir com a água que, por esta invasão, não aquece. Sendo uma planta halófita que cresce nas salinas e bastante tolerante ao sal, tem a particularidade de ser salgada, permitindo a sua utilização como substituto do sal.

É uma planta sazonal que aparece espontaneamente entre março e agosto, sendo colhida fresca neste período. Entre setembro e outubro é colhida seca, podendo ser triturada e utilizada dessa forma. O nascimento inicia-se na primavera e vai até ao longo do verão, quando fica mais rija e fibrosa. A sazonalidade da planta limita a sua utilização fresca fora de época, contudo regista-se a possibilidade de se poder conservar em pó ou em pickles. É aliás desta forma que os franceses a usam.

IMG_3789

De acordo com a opinião médica, a salicórnia é abundante em diversas vitaminas, sais biológicos, ácidos gordos e proteínas, compostos vitais para a saúde e equilíbrio alimentar. É recomendada a hipertensos pela já referida possibilidade de substituto do sal na confeção de refeições culinárias. Não estando ainda incorporada de forma consistente na dieta alimentar do nosso território, e sendo desconhecida da maioria dos portugueses, a salicórnia ganhou estatuto de produto gourmet. Comercializada a preços elevados, tem sido alvo de utilização por parte de alguns chefs de cozinha, como um produto sofisticado e único, dadas as suas características, nomeadamente pela aparência e textura singulares.

fotografia(9)