IMG_8236

Não por acaso começo os posts de 2014 com pão! Embora não tenha sido o tema mais abordado nos meus posts do ano anterior, provavelmente foi a técnica que mais explorei, experimentei, ousei e desfrutei nos dois últimos anos na cozinha. Descobri o quanto gosto de fazer pão, o quão apaziguador e terapêutico pode ser e como é uma alternativa mais saudável ao pão que compramos. Se nos detivermos na composição descrita nas etiquetas do pão do dia, verificamos um número considerável de aditivos e conservantes que nos surpreende, tendo em conta que, basicamente, na sua composição, o pão leva farinha, água e fermento.

IMG_8240

Claro que depois existem os pães mais compostos, uma mistura entre o pão e o bolo e que foge muito ao tradicional e mais convencional pão que servia para conduzir à boca o alimento principal, o conduto. Ou os pães de outras culturas mas que, à semelhança de tantos outros exemplos, nos fomos apropriando e levando às nossas mesas como alimentos quase incontornáveis no nosso quotidiano. A magia da aldeia global! Quem diria que em tão poucos anos falaríamos da focaccia com o amigo do lado, como se comentássemos sobre a textura do último cacete comprado na padaria da esquina?!

IMG_8245

Gosto muito de pão, está visto e gosto muito de meter as mãos na massa, como aliás faço sempre que posso. Mas também há dias em que a gestão do tempo me obriga a procurar alternativas menos complicadas e mais e cómodas. É claro que podia comprá-lo e tudo seria mais fácil, não sei até se mais económico (somar gastos energéticos aos ingredientes que por vezes são dispendiosos, como é o caso da farinha de espelta, pode ser uma desagradável surpresa…), mas fui perdendo o hábito e a vontade. E por isso, então, o recurso a atalhos.

IMG_8247

Foi assim que cheguei a uma receita verdadeiramente original e vencedora nesta demanda de pão saudável e rápido, sem negligenciar a qualidade e um resultado final soberbo. Tão fácil que até uma criança o pode fazer como podem confirmar! Ou podem seguir o vídeo do Mark Bittman para uma apreensão ainda mais visual.

Depois disto ninguém tem desculpa para não fazer o pão. Não há desculpas! Ainda para mais porque se consegue aquele efeito, tantas vezes falhado, da crosta crocante. A receita tem sido feita e repetida tantas, tantas vezes que ganhou o estatuto do melhor pão cá por casa, destronando o pão do Nigel Slater!

Vou alternando as misturas de farinhas, de acordo com as preferências do momento. Por isso, a receita que se segue é para um pão de mistura com cerca de meio kg.

IMG_8252

150g de farinha de trigo
 sem fermento

150g de farinha de centeio integral

200g de farinha de trigo integral

400g de água morna

1 colher de chá de sal

10g de fermento de padeiro fresco

Preparação:

* Numa taça colocar as farinhas;

* Misturar a água morna com o sal e o fermento, mexendo bem até diluir o fermento e o sal e depois adicionar à mistura de farinhas;

* Envolver com uma colher, misturando sem mexer muito mas de forma a que a farinha absorva toda a água;

* Cobrir com um pano e deixar levedar o máximo de tempo possível, mas pelo menos uma hora. Por vezes preparo a massa à hora de almoço e cozo no final do dia enquanto preparo o jantar;

* Pré-aquecer o forno a 200º, juntamente com uma panela (sim, esta é a grande surpresa) onde vai cozer o pão;

* Enfarinhar a banca e colocar a massa em cima, dobrando ao meio e novamente ao meio;

* Polvilhar o fundo da panela com um pouco de farinha e colocar a massa com a dobra para baixo;

* Fazer um corte ligeiro na massa com uma faca, dando o efeito que se pretender;

* Colocar a tampa na panela e levar ao forno durante aproximadamente meia hora;

* Retirar a tampa e deixar cozer mais cerca de 20 minutos até ficar uma uma crosta estaladiça;

* Tirar da panela e deixar arrefecer numa rede metálica.

Notas importantes:

* O facto de não amassar demasiado o pão vai permitir que ele não perca o ar e assim conseguir uma massa leve sem o efeito massudo que muitas vezes acontece;

* Pela minha experiência, uma noite a levedar dentro do microondas ou em local sem aragem, tem um efeito muito melhor. É tudo uma questão de gestão de tempo. Algumas vezes deixo durante a noite e de manhã, enquanto nos preparamos para mais um dia, ele coze. Claro que já não dá para o pequeno almoço, mas é muito bom encontrá-lo no regresso a casa 😉

* Tal como o forno deve estar bem quente, também a panela a usar deverá ser aquecida. Se tiver uma panela de barro ou ferro fundido, não hesite pois são as melhores opções. A minha mãe, a quem já passei a receita, usa uma caçarola de barro com tampa e o resultado é sempre perfeito!

Experimentem e depois digam-me se é, ou não, um pão soberbo!

IMG_8241