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Pão-por-Deus!

IMG_0314Fomos invadidos pelos Halloween! Por todo o lado abóboras, costumes bizarros de má qualidade, a maioria das vezes, e o gesto forçado de abraçarmos esta celebração. Estranho, estranho sobretudo porque temos, na nossa tradição, uma celebração para este período e que pode satisfazer a gula momentânea da pequenada. O Pão-por-Deus, senhores! Ou “Bolinhos, Bolinhós”. Porque vamos abdicar desta em favor de uma “festa” que não é nossa?!

Eu bem sei que o marketing e o aspeto comercial determina (quase) tudo nestas coisinhas. Mas como diria minha avó: «Mete-me espécie!»

IMG_0312Já que estamos em modo «abóboras», então aproveitemos e façamos algo proveitoso, saboroso e genuíno com elas. Sem grandes malabarismos ou subversões. Assadas, no forno, com algumas raízes nossas amigas, uma erva aromática robusta, bom azeite transmontano e umas pedras de sal. Receitas não há, nem a desculpa que os dias estão muito quentes para ligar o forno. Cá por casa contorna-se isso, continuando a fazer as refeições ao ar livre, prolongando o verão!

IMG_0317Cortar em pedaços uniformes abóbora manteiga, abóbora amarela, cenouras, cherovias, beterrabas e cogumelos. Temperar com azeite, sal e folhas de salva. Levar ao forno até assar. Servir com carne grelhada e aproveitar o que sobrar para uma base de sopa.

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Tomate para comer à colher!

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Finalmente aparece, hoje, a receita do doce de tomate feito no final do verão, quando o tomate ainda era colhido em grandes quantidades, com o sabor intenso e único deste fruto caseiro.

A receita foi baseado num conjunto de várias informações que se vão acumulando nisto de fazer compotas. Há sempre o rei da festa, a que se junta o incontornável açúcar, na quantidade e qualidade que o nosso instinto aponta. Depois deixamo-nos conduzir pelos aromas que as especiarias e outros condimentos podem acrescentar a uma compota. Nada que roube o protagonismo ao ingrediente principal, mas algo que lhe permita brilhar!

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1,5 kg de tomate em rama

800 g de açúcar amarelo

3 cravinhos

2 paus de canela

2 estrelas de anis

1 cálice de martini bianco

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Preparação:

* Colocar o tomate sem pele e partido em bocados num tacho de fundo grosso

* Adicionar os restantes ingredientes

* Deixar cozinhar em lume brando cerca de 2 horas e ir mexendo pontualmente para não agarrar ao fundo

* Retirar as especiarias

* Ainda quente, colocar em frascos previamente esterilizados

* Tapar bem e colocar cerca de 10 minutos virados para baixo para criar vácuo

* Saborear em panquecas, com queijos curados, scones ou como bem lhe aprouver

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Dia Mundial da Alimentação e 2 motivos

10592837_1598936383667330_586699102822781966_nE porque amanhã se comemora o Dia Mundial da Alimentação, nada melhor do que lembrar dois motivos para visitar a Figueira da Foz durante este mês:

De 23 a 25 de outubro realiza-se o 1º Congresso Nacional de Turismo de Culinária. Podem consultar o programa geral aqui.

10408948_677625702333350_5561917694523660211_nVisitar a exposição “A alma da minha cozinha” da Maria Inês Mendes, conhecida como Ginja no seu encantador Ananás e Hortelã. O seu trabalho estará até ao final do mês na Sala Afonso Cruz no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz.

2 motivos!

Do Algarve… com saudade

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Leio uma entrevista daquela senhora. Está outra vez a dar que falar, devido ao novo livro. E o imenso respeito que lhe tenho, que tenho pelo seu percurso e obra fazem-me, mais uma vez, regressar à Cozinha Tradicional Portuguesa.

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Desta vez o pretexto são umas lulas e a saudade do sul que se instalou por aqui este fim de semana. Talvez a chuva nos tenha deixado nostálgicos e saudosos dos dias quentes e com sabores do mar, daquelas terras amigas. Diretamente de Olhão, Lulas Cheias, a rigor, com batatas fritas a acompanhar, como manda a tradição!

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Lulas Cheias (Olhão)

Cozinha Tradicional Portuguesa | Maria de Lourdes Modesto

(para 4 pessoas)

1 kg de lulas médias

100 g de presunto

150 g de chouriço de carne (linguíça)

2 dl de azeite

2 cebolas

2 dentes de alho

1 folha de louro

1 ramo de salsa

500 g de tomate maduro

sal e pimenta

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Preparação

* Limpam-se as lulas deixando-lhe os sacos inteiros, Picam-se os tentáculos juntamente com o presunto e o chouriço.

* Picam-se a cebola e os dentes de alho e alouram-se com 1 dl de azeite, meia folha de louro e a salsa. Quando a cebola estiver macia, adiciona-se metade da quantidade do tomate se pele e grainhas e cortado em pedaços e deixa-se cozer tudo.

* Quando estiver apurado, junta-se o picado de tentáculos, presunto e chouriço e deixa-se cozer cerca de 15 minutos.

* Enchem-se as lulas com o preparado anterior, sem ser em demasia, e fecham-se os sacos com palitos.

* Num tacho de barro (não usei) deitam-se a cebola e os tomates que restam picados, salsa e louro, sal e pimenta e 1 dl de azeite. Dispõem-se por cima as lulas regando-as com o recehio que sobrou.

* Tapa-se o recipiente e deixam-se cozer em lume muito brando. Servem-se com batatas fritas em palitos grossos.

Recuperar

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Passava os olhos pelas pastas das fotos acumuladas com vontade de me livrar de muitas delas, para que a ordem se instale e fique apenas o que é absolutamente necessário. O trabalho de arquivo e de edição tem de obedecer a um método ou corre-se o risco de o caos tomar conta de nós e dos “registos”.

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Foi por esse motivo que eliminei um sem número de ficheiros, de fotos que já perderam o seu “prazo de validade”. Já não fazem sentido por diversas razões. Mas no meio dessas, “recuperei” estas, não pela qualidade ou por estarem dentro do meu “cânone”, mas porque a receita vale mesmo a pena experimentar.

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Tem meses! Muitos. Em fevereiro completa um ano. Lembro-me que na altura não a publiquei por achar que era muito repititivo. Andava em “modo Donna Hay e o Seasons” e tinha publicado seguidinho estes bolos,(feitos para a mesma ocasião que o bolo de hoje) esta tarte e, logo depois, novo bolo. Tinha de dar “descanso ao Seasons” e aos bolos! Mas eis que chegou a hora, já que ando novamente coerentemente por este livro.

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Coffee cake with mixed toffee nuts

Bolo de café com caramelo e frutos secos

Donna Hay | Seasons, pp. 218, 219

150 g manteiga amolecida

130 g açúcar amarelo

1 ovo

1 gema de ovo

150 g farinha peneirada

1 colher de chá fermento

1 coher de chá café instântaneo

1 colher chá água quente

60 ml leite

cobertura: caramelo com frutos secos

220 g açúcar

125 ml água

20 g manteiga

125 ml natas

100 g mistura de frutos secos (usei nozes, tâmaras e avelãs)

Preparação:

* Aquecer o forno a 160º

* Bater a manteiga com o açúcar numa batedeira cerca de 10 minutos até ficar cremoso

* Juntar os ovos e envolver bem

* Adicionar a farinha e o fermento peneirados e misturar

* Misturar o café com a água

* Acrescentar à mistura juntamente com o leite

* Colocar a massa numa forma redonda com cerca de 18 com de diâmetro, forrada com papel vegetal

* Levar ao forno cerca de 1 hora, até cozer e depois desenformar

* Preparar o caramelo, levando numa caçarola em lume médio o açúcar e a água

* Depois de dissolver, deixar cerca de 8 a 10 minutos até caramelizar

* Retirar do fogão e adcionar cuidadosamente a manteiga e as natas

* Envolver os frutos secos nessa mistura e cobrir imediatamente o bolo

* Deixar repousar alguns minutos antes de servir

ancestral!

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Ancestral!É o termo que me ocorre quando penso em fazer conservas e compotas. Vem de longe este método de conservar alimentos. E se em tempos era absolutamente fundamental recorrer a isso por questões de economia e organização, hoje reveste-se mais da necessidade de responder ao apelo das tradições e hábitos.

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As diversas ofertas disponíveis no mercado, bem como os gastos associados à sua execução, justificam o decréscimo desta prática nas nossas casas. Mas há os resistentes, os que todos os anos preparam marmelada, compotas várias de frutos da época, conservas de vegetais para ir usando ao longo do ano. Bem analisado, e usando de pragmatismo, não estamos a poupar em (quase) nada. Se a matéria prima existe em abundância, há, ainda assim, ingredientes que obrigatoriamente têm de ser comprados: açúcar, vinagre, especiarias… a somar aos gastos de energia e tempo!

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Ainda assim vale a pena! Dizemos para nós próprios que nada se compara à marmelada caseira; o doce de tomate com os frutas da horta é inigualável e os picles de beterraba são difíceis de encontrar. Além do mais, sem corantes nem conservantes! Sim, tudo isso são motivos. Mas o mais forte será mesmo essa imitação do passado, a ancestralidade do ato que nos traz conforto e nostalgia. Um dia poderá ser diferente, por enquanto, nesta cozinha haverá sempre espaço e tempo para preservar.

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Homemade preserved beetroot – Beterraba em conserva

Donna Hay – Seasons

1.5 kg de beterrabas

2 litros de água

500 ml de vinagre de malte (usei de sidra)

700 g de açúcar amarelo

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* Cortar os caules das beterrabas

* Numa panela colocar todos os ingredientes em lume médio

* Deixar levantar fervura e tapar

* Deixar cozinhar cerca de 1h10 ou até ficarem tenras

* Retirar as beterrabas e reservar o liquido

* Retirar a pele das beterrabas e cortar em rodelas

* Colocar em frascos esterilizados e cobrir com o líquido

* Deixar arrefecer e guardar no frigorífico

Nota: Deve usar luvas quando descascar e cortar a beterraba ou ficará com as mãos manchadas.

Conserva-se no frigorífico por duas semanas.

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outonal

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O fim de semana, ainda que pontuado com alguns raios de sol, foi preparando o meu espírito para a mudança de estação que se avizinhava e que só ainda não tinha acontecido no calendário!

A intensidade da chuva dos últimas semanas e as temperaturas a descerem discretamente não deixaram dúvidas e, por isso, agora, o outono instalou-se definitivamente e legitimamente.

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E sim, trouxe coisas boas, apesar de se gostar muito dos dias de sol e que se estendem por  mais tempo. Trouxe a vontade da cozinha, das compotas e conservas, dos bolos e dos pratos de forno, da comida honesta de todos os dias.

Por isso, parte do fim de semana foi partilhado na cozinha, com mãos pequeninas a auxiliarem e a descobrir os encantos de transformar. Também a cozinha pode ser pedagógica, educativa, divertida e inclusiva. A minha procura ser. É, grande maioria das vezes, a minha forma de estar mais perto da família e de forma divertida, educar e passar valores. Mas isso é outra conversa…

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Para além do doce de tomate e da conserva de beterraba que hão de aparecer por aqui, fez-se este bolo, seguindo a receita da Donna Hay, do livro sempre à mão e que apetece repetir na integra. Um bolo reconfortante, bom para um lanche com chá, ou quem sabe, para iniciar a manhã de forma mais pecaminosa.

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sticky orange and vanilla upside-down cake (adaptado)

Donna Hay – Seasons

4 ovos

220g de açúcar amarelo

1 colher de chá de extrato de baunilha

150 g de farinha com fermento

150 g de manteiga derretida

120 g de farinha de amêndoa (usei farinha de arroz)

Cobertura

220 g de açúcar amarelo

125 ml de água

1 vagem de baunilha,

2 laranjas, cortadas finamente

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* Aquecer o forno a 160º;

* Para preparar a cobertura, colocar o açúcar, a água e a baunilha numa caçarola em lume brando;

* Depois do açúcar se dissolver, juntar as rodelas de laranja e cozinhar entre 10 a 15 minutos até ficarem macias;

* Deixar repousar e reservar;

* Colocar os ovos, o açúcar e a baunilha na batedeira cerca de 8 a 10 minutos até ficar uma mistura pálida e com cerca do triplo do volume;

* Adicionar a farinha a esta mistura e envolver bem;

* Acrescentar a manteiga e a farinha de arroz e mexer até obter uma massa homogénea;

* Colocar a laranja numa forma redonda e cobrir com a massa;

* Levar ao forno cerca de 40 a 45 minutos até ficar cozido;

* Desenformar e regar com onde cozinhou as laranjas;

* Servir com calda e iogurte grego natural

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Nota: No original, a calda de laranja é cozinhada diretamente na forma que irá ao forno com o bolo e não é separada a calda da laranja. No entanto, optei por reservar a calada e regar posteriormente o bolo.

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